sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Brasília - Nossa sociedade precisa mudar?

Em 1992, estivemos, eu e minha esposa, no consultório de Dr. Aim Gruspun (assim que se escreve?), médico neurologista e psicólogo, para levar um filho à uma última consulta. Esse médico, de estatura mediana, cabelos brancos, largas sobrancelhas, voz grossa, nos comunicou que nossa ida para a España era muito propícia pois a juventude de lá era muito “ingênua” , sossegada, e que esse fato seria muito bom para nosso filho que, até então, com ele se tratava. Fomos para o novo país, cheios de esperanças e curiosidades, e lá, com o decorrer dos anos, quando nossos filhos já tinham se familiarizado com a vida dali, com as escolas, com os professores, e também observando seus amiguinhos, companheiros da escola, que Dr. Aim tinha toda a razão em relação ao comportamento das crianças. As escolas tinham uma orientação bastante distinta das daqui do Brasil; a começar pelos uniformes, que embora de estilo muito bonitos, eram muito sóbrios, que não deixavam as crianças exacerbar sua jovialidade e alegria. Nas salas de aula, muito rigor com os tratamentos das pessoas, e fora das salas de aula, quando iam para suas casas, todos tinham longos deveres de casa para serem apresentados ao dia seguinte. Finais de semana com deveres redobrados, férias com muitas leituras de livros, muitos trabalhos por fazer. “Mente desocupada, oficina do diabo”- esse era o lema! Muitos me comentaram que isso era um resquício da “ditadura de Franco” e lógico, do sistema educacional por eles adotados. Foi uma época de muito aprender daquele povo tão antigo, que se moderniza em muitas outras áreas, que se fêz muito rico, que igual ao restante do mundo também passou por crises. Passaram-se os anos, voltamos ao Brasil , precisamente a Brasilia, tivemos que mergulhar em nova realidade: país muito mais novo, com outros métodos de ensino, com outros modos de vida, com a Democracia em constante atualização, onde todo mundo é “você”, “tio”, ou “cara”, onde o transporte público, apesar de estarmos na capital federal, é deficiente, a saúde, apesar de conhecer métodos e tecnologias invejáveis, ter profissionais de primeiro mundo, ainda é deficiente. Nesta capital, que ainda é “criança” na idade, onde tudo que fazemos é praticamente novo, e que poderíamos começar novos tempos na política, sem corrupção, sem vícios, não vivemos essa realidade. Voltando ao Dr.Aim, às crianças, ficamos perplexos no nosso dia-a-dia com a diferença do tratamento das crianças, com a diferença de comportamento delas. Não é difícil vermos a troca do amor dos pais por brinquedos; a companhia deles é trocada pela atenção de babás especializadas, ou babás simplesmente, ou uma empregada doméstica que tem outros afazeres além de fazer companhia. A educação, o aconselhamento, o amor, sendo delegados a outros. É claro, daí não é impossível imaginar que aquelas crianças não tenham comportamentos adequados em público (cinemas, restaurantes, shoppings, etc.). Coisas simples como tratar os demais com respeito, tratar os mais velhos com deferência, tratar terceiros sem animosidade, são coisas que acabam sendo raro, e no final teremos uma sociedade “sem valores”. Falar sobre este tema sem ter nenhuma especialidade na formação é ser muito simplório, mas, fazemos esta nota só para constar nossa preocupação com relação ao tema. DEVEREMOS PASSAR POR UMA DITADURA PARA ACERTAR NOSSA SOCIEDADE?

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